sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Under Armour Charge RC 2

Com o grande "boom" que a corrida tem tido no nosso país. São várias as novas marcas que têm surgido no nosso mercado. A par disso, muitas dessas marcas estão a lançar modelos que vêm revolucionar a forma como estávamos habituados a correr. Calçado mais minimalista e que nos obriga a que o primeiro contacto do pé com o solo se faça com a parte do meio, em vez de ser com o calcanhar.
Com tudo isto, o meu interesse por experimentar este tipo de calçado com um drop mais baixo (diferença de altura entre o calcanhar e a parte da frente), tem vindo a aumentar e são várias as pessoas que conheço que têm e estão realmente maravilhadas com a diferença.

Para grande surpresa minha (e satisfação), na semana passada recebi um convite do Correr Lisboa, a dizer que a Under Armour, em parceria com eles, iria realizar um treino para se testar os Under Armour Charge RC2.

Na quarta-feira, ao final da tarde, fui então até à zona da Torre de Belém com o pessoal da Correr Lisboa, mais uns quantos convidados, fazer o teste, acompanhados por pessoal da Under Armour Portugal e pelo atleta nacional Luís Pinto.



Ao pegar nos UA Charge RC 2 temos logo a noção de se tratar de uns ténis bastante leves (227g). Depois ao calçar sentimos uma grande liberdade de movimentos dos dedos devido ao amplo espaço na parte da frente e também à zona superior constituída por um material muito flexível e respirável.
A forma também se adapta muito bem ao pé e quase não é necessário apertar os atacadores.

Assim que começamos a correr a sensação de leveza e conforto são muito boas e instintivamente "obrigados" a apoiar o pé no chão com a parte do meio o que nos impulsiona logo para a passada seguinte de forma natural e com uma postura muito mais correta.

 

Fiz apenas 10km com eles mas não tive o mínimo sinal de bolhas (uma coisa com que padeço bastante, habitualmente, se não tiver cuidado na escolha das meias e no creme).

Em jeito de conclusão, gostei mesmo muito deste modelo e como ponto menos positivo só o facto de achar o preço um pouco elevado (cerca de 135€), mesmo comparado com outros modelos do mesmo segmento.

Uma vez mais, muito obrigado à Under Armour, à Correr Lisboa e ao grupo fantástico que participou neste treino, sempre com grande animação e companheirismo.



quinta-feira, 8 de agosto de 2013

4º Treino Correr Lisboa

Há cerca de um mês, o pessoal do Correr Lisboa, começou a organizar uns treinos todas as 3ªs feiras ao fim da tarde (19:15h) no Estádio Universitário de Lisboa (EUL). Devido à logística familiar, é uma hora muito complicada para mim, que como já referi algumas vezes, o único período em que consigo treinar é mesmo de madrugada.
Aproveitando o facto de ter "despachado" a miúda mais cedo de férias com os avós, resolvi desafiar a esposa a irmos ao treino. "Ah, mas eu nunca corri e não vou aguentar o ritmo" e coisas desse género foi a resposta que obtive. Felizmente a Sandra do Correr Lisboa, publicou no evento do facebook, que para além dos dois grupos habituais (um mais rápido e outro mais lento), iriam formar também um grupo de caminhada. Problema resolvido e desafio aceite. :)
Desafiei também o casal Ornelas e o casal Quintanilha que prontamente aceitaram.

Para além das vantagens do treino descritas neste artigo.
O treino conta ainda com a excelente reportagem fotográfica da Sandra Claro.

Os treinos têm sido sempre diversificados.
O desta semana começou com um ligeiro aquecimento, depois dividiu-se o grupo em 3 (caminhada, mais lento e mais rápido) e cada um desses grupos percorreu durante 40 minutos os caminhos do EUL. Passados os 40 minutos agrupou-se novamente toda a gente para uns alongamentos e tivemos direito a água e tudo. Depois disso fomos até uma zona mais inclinada onde foi explicado a maneira mais correta de efetuarmos uma subida a correr, de forma a mantermos uma postura correta, facilitando assim a respiração e aliviando a pressão exercida nos joelhos.
 Para a semana vai ser feito um Teste de Cooper para avaliar a condição de cada um e daqui a uns tempos irão repetir para se analisar a evolução pessoal.
 
Como era dia de aniversário de um dos membros do Correr Lisboa, fomos ainda brindados com uma fatia de bolo (mas apenas para quem cantou os parabéns). :)

É o treino ideal para:
- quem nunca correu e tem curiosidade em saber o quanto é bom correr;
- todo os que não gostam de correr sozinhos;
- quem corre pouco e acha que está a ser difícil evoluir;
- quem já corre regularmente mas que quer melhorar a sua técnica de corrida
- quem gosta de vez em quando de variar o seu treino e treinar acompanhado num ambiente divertido e descontraído;
Resumindo é bom para todos.

Sem dúvida um evento a repetir sempre que possa e que recomendo vivamente.
Participem num treino destes e depois venham aqui dar a vossa opinião do que acharam.


Fotos minhas deste treino
Todas as fotos do treino publicadas no facebook do grupo Correr Lisboa


terça-feira, 6 de agosto de 2013

V TLNO

Sábado foi dia de ir até à bela vila de Óbidos para participar nos 26km do TLNO (Trail Noturno da Lagoa de Óbidos).

AVISO: O texto é longo, por isso, podem já saltar para a parte que diz RESUMO.

Saí de Lisboa, acompanhado da minha esposa e do casal Ornelas (André e Rute). Ao chegarmos a Óbidos encontrámo-nos com a Inês e restante família, e mais tarde juntou-se a nós o Ildebrando.

Assistimos todos juntos à partida do pessoal dos 50km às 21h e depois eu, o André, a Inês e o Ildebrando fomos para o cimo da vila, para o local onde se iria realizar o briefing com a explicação do trajeto, marcações a seguir, abastecimento, etc. do TLNO.
Ildebrando, amigo da Inês, Inês, eu e o André

Aqui reparei que, no meio, dos cerca de 400 atletas, apenas 3 tinham o frontal utilizado na Urban Night. Precisamente eu, o André e a Inês. Mais tarde percebi o motivo de mais ninguém utilizar aquela maravilha e de ter uma luz a sério.

Momentos antes da partida. É sempre este o
ambiente antes, durante e após uma prova de trail.

Às 21:45h foi dada a partida e lá fomos. O Ildebrando foi à vida dele (e fez uma prova muito boa com um tempo final de 2h59m13s), e eu segui com a Inês e o André.

Os primeiros kms da prova deram para rolar +/- bem e aos 5km deparamo-nos com uma descida muito técnica e que tinha que ser feita com muito cuidado. Assistimos a muitas escorregadelas, mas nada de grave. O André tem andado com alguns problemas devido a uma fascite plantar e este tipo de terreno não o ajudou muito, sentindo algumas dificuldades nesta fase da corrida. Dissemos-lhe que o melhor seria ficar no abastecimento ao km 8, porque ainda faltavam 18km para o fim e não valia a pena agravar a lesão.

Chegámos ao abastecimento e o André como é ajuizado resolveu.................continuar (e com essa decisão acabou depois por vencer, com distinção, o prémio de "Teimoso do Ano"). Disse que ia mais devagar e para eu seguir com a Inês, porque ele ficava bem. Tinha também telemóvel e se fosse necessário ligava-me.
Nesta fase da prova, corremos cerca de 5km, por uma estrada larga de terra sempre junto à lagoa e deu para rolar bastante bem. Foi uma parte porreira, porque fomos sempre na conversa e sem grandes preocupações em ir atentos às marcações do trajeto. Aqui já o meu frontal mal se via e tive que recorrer à lanterna que levava na mochila e que (bem) me iluminou até ao final.

Ao km 14 tivemos o segundo (e último) abastecimento. Foi um abastecimento de sólidos e líquidos muito bom e variado, mas pecou por ser muito cedo, pois ainda faltavam 12kms para o final da prova.

Depois entramos numa parte muito gira com zonas de pinhal, passagens por canaviais e vegetação alta. Já perto do km 19 ou 20 (não sei precisar), vimos pessoal aglomerado e pensámos que houvesse alguma descida complicada (antes fosse), mas não, era nada mais nada menos que um canal cheio de lodo que tínhamos que atravessar,, enterrados até ao joelhos. Sem outra hipótese possível lá atravessei aquilo.

Esta passagem pelo lodo, foi um autêntico soco no estômago e a nível anímico deixou-me completamente de rastos. Vi que a Inês continuava forte e como ia mais gente junto a nós num ritmo bom disse-lhe para seguir com eles e aproveitar a boleia.

Um pouco mais à frente há uma atleta que me cede passagem num troço e me parece em dificuldades, pergunto-lhe se está bem e ela diz que tinha torcido o joelho e por isso não podia forçar muito. Respondi-lhe que seguiria com ela até à chegada a Óbidos e lá fomos, ora correndo, ora andando.

Chegámos ao km 24 e eu incentivei-a a dizer que faltava apenas 1km, ao que ela respondeu a dizer que tinha feito a prova o ano passado, que o trajeto tinha sido o inverso e que se lembra de chegar aquela zona já com 3km, por isso, seria essa a distância que faltava para o final. Uns metros à frente estava um rapaz da organização e indicar o caminho e a dizer que faltava pouco mais de 1km. Algo não batia certo. Mais à frente percebemos o que era. Novo aglomerado de atletas e mais lodo, mas desta vez passando por dentro de um túnel com cerca de 30 metros de comprimento e com uma altura em que íamos tão curvados que quase tocávamos com o queixo naquela porcaria.

O famoso e mal cheiroso túnel.
Depois disso tivemos uma subida até perto do castelo e para terminar fomos presenteados com uma escadaria até à muralha.
Junto à muralha vejo uma entrada, ouço aplausos e penso "Que porreiro, agora deve haver público a aplaudir ao longo da vila, até chegar à meta" e não me enganei. Só me enganei no facto da meta ser ali mesmo e assim que acabei de ter aquele pensamento, estavam dois senhores à minha frente a felicitar-me, a entregar a caneca alusiva à prova e a retirarem o chip do dorsal.

Depois foi atirar-me à sopa, chá, melancia, melão, bolachas e água existente no final e ir ter com a esposa e amigos que lá estavam, para esperar-mos pela chegada do André. Ainda encontrei a Rute e o Vítor que também fizeram a prova.

Resumo:
- Foi o meu segundo trail. O primeiro tinha sido os 20km de Sesimbra.
- Bati o meu record de distância percorrida (26,20km) e maior duração de prova (3h47m17s)
- O facto do trail ter sido à noite, não conseguimos aproveitar as paisagens que estas provas nos proporcionam.
- Descobri como é importante ter um bom frontal em vez de uma luz fosca
- As 3 travessias no lodo podiam não fazer parte do percurso. Acho piada aos trilhos em que se atravessam riachos de água cristalina, mas sítios de lodo e lama e não são o meu género, daí não achar muita píada a provas como o Comando Challenge e outras do género.
- Para o ano logo se vê, mas em principio lá estarei.




sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Ultra Maratona Atlântica (Melides-Troia) 2013


De forma definitiva constato, que se torna para mim mais difícil começar um artigo do que acabar uma "ultra", o que a meu ver, não possui nada de negativo. 

UMA - Ultra com Muita Areia

A Ultra Maratona Atlântica (UMA), chamou a atenção no ano passado. Tinha começado a correr há pouco tempo e qualquer corrida de longa distância, estava longe dos objetivos.

Com o passar do tempo, a realização de treinos e provas mais longas, os objetivos também se alteram e tornam-se mais ambiciosos. Após a abertura das inscrições da UMA, pouco demorou até à minha inscrição.

Os amigos do costume (Tiago, André e Quaresma), já tinham combinado ir até ao local da prova, para fazer os últimos 10 km em forma de treino e para me apoiarem numa altura em já sabíamos que estaria mais debilitado.

A deslocação para a UMA é um pouco diferente das outras provas. Uma vez que tinha boleia garantida para o regresso, arranjei boleia para Setúbal, através de uns amigos dos trilhos. 
O dia começou cedo, por volta da 4h00. 

Ficou combinado que o ponto de encontro seria às 5h00 em Tercena, e assim ir com tempo para apanhar o barco em Setúbal às 6h00. Chegámos dentro do previsto e seguimos para Tróia. Apanhámos o autocarro para Melides onde ainda deu para dormir um pouco.

Ao chegar a Melides, fui levantar os dorsais. Após a confirmação de alguns dados pessoais, recebi o dorsal (nº 69) que por motivos óbvios foi um sucesso, uma t-shirt, um buff, uma barra e um gel energético, uma maçã e uma garrafa 1 litro de água. 

Depois foi só aguardar, aproveitar para conversar com alguns amigos e tirar as fotografias da praxe, até ao tiro de partida. 
"Loucos"
É dado o sinal de inicio da prova e lá seguimos em frente, porque na UMA pouco mais há a fazer do que seguir em frente. Água do lado esquerdo, dunas do lado direito e areia ao centro.

Início da corrida
Na fase inicial, há uns que optam pela areia molhada mas com desnível, outros seguem pela areia solta mas plana. Andei durante 2 ou 3 km pela areia solta, até decidir experimentar o plano inclinado, mas não correu muito bem. 

Nas vésperas da prova as dúvidas prendiam-se com o calçado. Seria melhor usar as sapatilhas de estrada, ou os de trail? Acabei por me decidir por levar os de estrada.

Os de estrada são mais folgados e esta folga no plano inclinado, causou uma fricção anormal. Cada vez que procurava fugir das ondas, o problema agravava-se e perto do km 5, já sentia um grande ardor no pé direito. Sabia que não podia correr mais ali e regressei ao plano com areia solta.

Ao fim de 12 km já estava todo moído, tinha uma bolha grande no pé direito, e o peso da água fazia-me mossa. Carreguei  a mochila com 2 garrafas de 0,5L e enchi a bolsa com a capacidade máxima que é cerca de 1,5 L. Resolvi despejar parte de uma garrafa, mas a meio do processo reparo que faltam 16 km até ao abastecimento na Comporta, e que toda a água me fazia falta, não apenas para beber, mas também para refrescar a cabeça.

Aos 18 km e um misero ritmo médio de 9:30m/km, finalmente passou o martírio, a maré já estava suficientemente baixa para se formar "a estrada" e poder correr num piso um pouco mais sólido. Aproveitei a água do mar para molhar os pés e assim  aliviar a sensação de ardor da bolha e das unhas.

Com a melhoria das condições do terreno, os tempos por km baixaram e andei sempre perto dos 7m/km. 
Os km foram passando e assim cheguei ao abastecimento ao km 28,5 ... já sem água nas reservas.

A organização forneceu 2 garrafas de 0,5L. Bebi metade de uma delas e o restante coloquei na mochila.
Aproveitei para descansar um pouco enquanto lutava contra a mochila, porque não conseguia fechar a bolsa de hidratação (estive a bater mal durante 1 ou 2 minutos :) )

Saí do abastecimento acompanhado de outro corredor e mantivemos um ritmo estável durante algum tempo, até que vejo no horizonte, os 3 amigos que tiraram o dia para me acompanharem nos últimos km. 

Aproveitei para aumentar o ritmo, levado pela "frescura" que eles apresentavam, queixei-me das dificuldades, mas a conversa pouco durou. As energias que tinha recuperado no abastecimento, fugiram e pouco reagi aos incentivos de conversa dos companheiros e os últimos kms foram feitos em modo automático.

Chegado à meta, uma sensação de objetivo realizado e cumprido. Com um tempo de 6h01m fiquei no tempo máximo previsto à partida, pois pensei em demorar entre 5h30 a 6h00.

 Atirei-me ao melão e à melância que a organização forneceu, assim como a um refrigerante fresco. Soube-me pela vida.

Ainda deu tempo para o banho na praia e um lanche ajantarado com os companheiros e respectivas  famílias na Comporta. Excelente maneira de passar um dia. :)

A UMA deste ano está feita e para o ano logo se vê.

No que diz respeito à organização do evento, esteve em todos os aspetos em grande nível. Desde a recepção, o acompanhamento ao longo da prova, até ao fim. Nada a apontar.

Os deuses do tempo, também foram agradáveis e proporcionaram um céu limpo mas com temperaturas bem amenas, comparadas às que se fizeram sentir, nas semanas anteriores a este evento.

Mais um agradecimento (todos os que der são poucos) aos companheiros de corrida, que incentivaram e acompanharam nos derradeiros kms, pois sem eles teria sido muito mais penosa, a chegada à meta.

A jeito para a fotografia
Ornelas no apoio (os outros esconderam-se)
Percurso

Aqui ficam os gráficos:




Resumo